segunda-feira, 24 de setembro de 2012




 JARDIM EM MIM


Quero uma vida enfeitada de borboletas coloridas, pássaros cantantes...
Um jardim em mim em todas as estações...
Quero uma fonte límpida, cristalina que refresque meus dias quentes.
Terra boa de abraçar sementes.
Quero uma vida com frutos doces, azedos, únicos em sabores.
Quero um jardim em mim em todas as minhas estações.
Quero o sussurro das folhas com o vento
Segredos compartilhados no tempo.
Quero ser enfeitada e enfeitar a vida.
Borboletas, beija-flor, sabiás e bem-te-vis,
As rolinhas simples, os pardais singelos, as andorinhas ligeiras.
Quero meu jardim alegre com as maitacas,
Surpreendentes como o Tucano na cidade.
As pombinhas em suas simplicidades.
Grilos a noite, brisa fresca, perfumes espalhados.
Quero uma vida enfeitada de borboletas e libélulas.
Para que minha alma se torne cantante,
Meu coração descanse nas estações futuras,
E meus passos não mais errantes.
Quero um jardim em mim....



Morgana  Deccache

domingo, 16 de setembro de 2012


 UM PUNHADO DE PALAVRAS

Queria ter em minhas todas as palavras, todas as respostas.
Queria reescrever toda uma história, encontrar sentenças.
Queria abrir as mãos e lá estariam uma a uma... 
Palavra por palavra...
Até que todas as perguntas fossem respondidas.
Até que todas as respostas fossem sentidas.
Queria ter o poder em minhas mãos da poesia no ser
Contrariar a ideia que poesia é demodê...

Morgana Deccache



sexta-feira, 14 de setembro de 2012


 QUE ROUPA?

Houve um tempo que minhas roupas eram coloridas
Como deviam ser roupa feita de sonhos.
Usava uma capa que brilhava,
Como brilha a esperança, nos olhos e no coração.
Houve um dia...
Tardes de eternos fins de semana,
Noites de estrelas sorrindo,
Músicas que faziam sentido... E eu sentia.
Houve um dia que eu me despia dos medos
Me vestia de planos, me calçava de asas e voava...
Houve um dia que eu voei...
Conhecia os caminhos pelo céu,
Descansava nas nuvens, escrevia na areia úmida dos mares.
Houve um tempo.
Ouvia os mares.
Minhas vestes reluziam tanto quanto meu olhar.
Acreditava em gente, amizades, no falar... Promessas.
Houve um dia que tudo de bom parecia se eternizar.
Houve um dia que acordei.
Minhas roupas estavam desbotadas, gastas,
Precisando trocar.
Trocaram.
A vida em golpes rápidos e certeiros me despiu.
Ninguém sabe, ninguém viu...
As roupas de cores, brilhos, aos poucos se desbotaram.
As tardes se entediaram, no céu me perco sem as estrelas
Que parecem ter se apagado uma a uma...
Perdi o jeito pra voar.
Meus pés cravaram no solo endurecido e seco da realidade.
Os anos pesaram, meus olhos se umedeceram...
O peito se trancou.
As músicas perderam o sentido de antes
Agora, apenas uma sonoridade só de ouvir... só...
Hoje me pergunto com que roupa estou?
Que roupa eu vou?
Eu vou?
Eu voo?
Eu?




Morgana Deccache


segunda-feira, 10 de setembro de 2012


SINGELEZAS...

Uma casa simples, piso corrido, luz entre as frestas...
Chão que brilha, cadeiras vazias, corações hospedeiros.
Porta entreaberta, luz das manhãs...
Paz e serenidade,
Calma e felicidade,
Na singeleza da casa, na simplicidade das mãos...
Cadeiras, uma mesa.
Um chão firme que se pisa, de vidas simples e singelezas.
A casa é pequena, de pouco conforto,
Mas os braços são fortes de ombros largos e amigos,
Tudo é feito de bom grado,
De amor, ajuda e afago.
A água é de tina, fogão a lenha, avental com borralho,
Frescor de frutas e flores, um ar que empreguina na gente.
Cheiro de café na hora, brilho no assoalho,
Da luz que já não sabemos se irradia de fora
Ou se emana de dentro...
Singelezas Divinas, compartilhadas a nós,
De quem Crê, buscam e nunca se vêem sós! 

Morgana Deccache



ÀS VEZES...BASTA OLHAR...

Às vezes o que temos parece pouco, quase nada.
Às vezes o que vemos, é embaçado, meio disforme...
Às vezes o que conseguimos é bem incerto, ainda sonhos.
Às vezes...
Às vezes temos muito e nada percebemos.
Às vezes vemos tudo, e nos fazemos de cegos.
Às vezes, e só às vezes, o melhor a se ter no momento, são os sonhos...
Nos detemos no que não temos,
Perdemos o que conquistamos,
E não vemos o tanto que caminhamos,
Conquistas certas, próprias de coração aberto...
Lançamos nosso olhar no infinito,
Desejamos sempre além.
Se esquece de viver, ser alguém pra outro alguém...
Às vezes hoje temos só uma pequena janela,
Uma porta meio aberta,
Uma vontade meio cansada...
É preciso se juntar nos sonhos,
Lançar olhares, conquistar lugares.
Usar o pouco para o muito.
Seu pequeno ser, seu minúsculo mundo,
E abrir essa janela, escancarar a porta,
Buscar do alto a força, visão do muito em meio ao pouco.
Às vezes, a voz Divina te fala pelas manhãs,
Te abre a vida num novo dia,
E você não consegue ouvir...
É preciso tão pouco pra ser feliz!
Tão pouco pra se viver,
É preciso olhar e ver...
E não às vezes, mas sempre, Crer! 

Morgana Deccache
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