QUE ROUPA?
Houve um tempo que minhas roupas eram
coloridas
Como deviam ser roupa feita de sonhos.
Usava uma capa que brilhava,
Como brilha a esperança, nos olhos e no
coração.
Houve um dia...
Tardes de eternos fins de semana,
Noites de estrelas sorrindo,
Músicas que faziam sentido... E eu
sentia.
Houve um dia que eu me despia dos medos
Me vestia de planos, me calçava de asas e
voava...
Houve um dia que eu voei...
Conhecia os caminhos pelo céu,
Descansava nas nuvens, escrevia na areia
úmida dos mares.
Houve um tempo.
Ouvia os mares.
Minhas vestes reluziam tanto quanto meu
olhar.
Acreditava em gente, amizades, no
falar... Promessas.
Houve um dia que tudo de bom parecia se
eternizar.
Houve um dia que acordei.
Minhas roupas estavam desbotadas, gastas,
Precisando trocar.
Trocaram.
A vida em golpes rápidos e certeiros me
despiu.
Ninguém sabe, ninguém viu...
As roupas de cores, brilhos, aos poucos
se desbotaram.
As tardes se entediaram, no céu me perco
sem as estrelas
Que parecem ter se apagado uma a uma...
Perdi o jeito pra voar.
Meus pés cravaram no solo endurecido e
seco da realidade.
Os anos pesaram, meus olhos se
umedeceram...
O peito se trancou.
As músicas perderam o sentido de antes
Agora, apenas uma sonoridade só de
ouvir... só...
Hoje me pergunto com que roupa estou?
Que roupa eu vou?
Eu vou?
Eu voo?
Eu?
Morgana
Deccache

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