terça-feira, 19 de junho de 2012




TEM DIAS...


Que as palavras se dissolvem.
Nenhuma palavra resolve.
Se perdem.
Se espalham.
Se calam...
Tem dias que os braços ficam vazios.
Os abraços esquivos.
Os beijos perdidos.
Tem dias que nada mais se faz dia.
Tudo vira noite.
Tudo escurece.
E nessa escuridão, se perde.
Tem dias...
Que não queremos esse dia.
Desejamos adormecer, noite fria...
Frio na alma.
De braços gélidos dos medos que nos enlaça.
Tem dias, que somos a caça.
Presas fáceis do descaso.
Dos dias infindos, pensamentos descalços em chão áspero.
Tem dias que não somos nós.
Que nos atamos aos nós.
Vivemos completamente sós...
Tem dias... Sem dias...

 Morgana Deccache






sexta-feira, 15 de junho de 2012





SILÊNCIO

Sinto falta de boa música.
Me sentar bem acompanhada,mesmo que em silêncio.
A companhia quando é boa e perfeita
Dispensa palavras...Os olhares dizem tudo.
Sinto falta daquela música que faz tremer por dentro.
Sua as mãos, acelerar o coração...
E nem sabemos a razão...Simplesmente nos tocam.
Sinto falta de bons sons, do silência que ecoa
No som do mar, no quebrar das ondas, assobio do vento.
Sinto falta de cores diante de meus olhos,
Mas principalmente dentro de mim.
As cores estão por aí...Mas o cinza predomina no peito.
Sinto falta daquele sorriso que me ilumina,
Dos gestos de menina,
Do olhar que me eleva além das colinas...
Sinto falta de cheiros, de um cheiro...
Aquele que nos remete no tempo
Nos faz viajar...Relembrar...
Sinto falta da música ecoando de dentro para fora.
Do beijo único antes de ir embora.
É, hoje é um dia sem música, sem cores...
Mas nunca sem a poesia e seus amores.

Morgana Deccache

sábado, 2 de junho de 2012


CAMINHO DE FERRO

Caminhos por trilos
Trilhas traçadas a ferro.
De ferro frio que traça caminhos.
De trilhos fortes, firmes, longos...
Caminho de ferro que trilhamos a cada dia.
Força que segue, frio que transpassa.
Caminho de ferro, trilhas em trilhos, esquecidos.
Dormentes adormecidos,
Caminhos, pedras, matos, serras.
Vento que esfria, sol que brilha
Num céu que se aproxima.
Pelo caminho de ferro.
Som que irradia do toque das rodas
Engrenagem que range na alma chorosa.
E trilha... E segue... E vai e vem.
Passadas incertas nessa estrada de ferro.
Overdose de imagens passadas nos trilhos
Desenhadas nas retinas...
Meu caminho de ferro, minha cina.


Morgana Deccache
 (Foto e Poesia)


Reflexo nas Marés

Nas marés que se movem em seu tempo, a cada momento tão único, me vejo refletida nesse movimento...
A cada instante, a todo o momento me apenas numa imagem refletida, quase contida.
Reflexo... Imagem em sombra.
Vejo como espelho, desfaço nas águas.
Dissolvo. Absorvo o que vejo... Sinto.
Ondas me levam, lavam, bailam.
Me vejo em reflexo, sem nexo, me deixando levar...
Indo...Vou e volto...Sou e solto, cada mover, a cada onda.
Que bate, varre, invade, submerge.
Sou nas marés parte do mar.
Sou as marés de todo esperar...

Morgana Deccache
(Foto e Poesia)