quarta-feira, 29 de agosto de 2012


  
O DOCE DAS PALAVRAS

Sou uma pequena abelha que destila desse mel.
Pouco a pouco, gota a gota, tempero as palavras.
Antes amargas meio fél...
Hoje respingo nas letras a doçura desse mel.
Poesia que é doce, energia em frases, visgo que me prendeu.
Zumbidos de versos, zunidos em prosas.
Revoar a vida, adoçar a lida... Sou abelha nas rosas...
Margaridas, tulipas, no girassol me direciono à luz.
Nos campos me deleito em minúsculas florzinhas
Coloridas me colorem...
Tenho o mel, levo os polens.
Sou enxame sim, desse mel que escorre de mim...

Morgana Deccache

 (Aproveitando uma gota do mel de Manoel de Barros)




segunda-feira, 27 de agosto de 2012



NOVA-MENTE

Novamente seguir, prosseguir feito errante.
Um nômade a procura de abrigo.
Novamente eu apenas comigo, num caminho tão novo.
Mesmo que outros me acolham em paradas ligeiras
Seguirei novamente os espaços, nos passos que são só meus.
Tanto de diz, palavras borbulham aos ouvidos.
Me embriago de tantos sentidos
Numa ânsia de vida pra se renascer.
Novamente comigo a caminho,
Bagagens dos anos, dores e carinhos,
Certezas e desalinhos... Prossigo...
Novamente juntar sentimentos e sonhos, escondidos ou perdidos
E partir com passos calmos.
Não saber pra onde ir, o que está por vir
Novamente seguir...




Morgana Deccache

domingo, 12 de agosto de 2012

S(AIS)

Cada passo, cada dia, cada vez.
Cada tempo, cada momento, insensatez.
Em cada palavra, calada, engolia por vez.
Palavras ditas bem ditas ou não por sua vez.
Cada instante, estampido, rompido no peito.
Sem jeito, desfeito no leito silencioso.
Ocioso tempo da espera atroz...
Cada tempo em seu tempo, seus ais.
Pensamentos em mares, vida açúcar ou sais.
Saí... Fui a cada tempo, sendo o que pensava ser.
Querer...
Viver, lançar da redoma afora.
Conter, lágrimas, desejos, do não ter.
Cada instante um errante...
Peregrino conhecido, caminhante.
De veredas conflitantes, encruzilhada.
Decidir por onde ir, ficar, partir... Senti(r)...
Cada dia, mais um dia, por vez...
Cada dia em sua essência se desfez.
Cada mal, um bem, no que tem de ser.
Por dia, dose única, anoitecer...
Mais um dia, mais uma vez...
Vácuo, insano, insônia sã...
Adormecer...


Morgana Deccache

(Foto e poesia)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012



AVARIA...

Tem dias que são assim...
Dias de sol, mar calmo,céu azul.
Noutros a tempestade se forma e não previsão,aviso,preparo.
Simplesmente ela vem.
As ondas se estendem além olhar, céu escurece e o peito começa a apertar.
Nossa vida é um barco,a mercê dos dias bons e maus.
Somos uma naus...A deriva muitas vezes, noutras um caos.
De tempos em tempos temos um cais, ancorar,respirar...Esquecer os ais.
Somos aremessados, lançados na fúria que noa lança a todas as direções.
Sofremos, sentimos, lutamos, vivemos sensações.
Mas tem dia, que parece que não temos mais como navegar...
Remamos, velejamos, mas as correntezas nos levam aos rochedos.
Nos avariamos, choramos, nessa busca diária de sobreviver no dia chamado hoje,para amnhã o farol nos indique o caminho,nos dê sinais...
E mais um dia,tentar ancorar num cais... 


Morgana Deccache

quarta-feira, 8 de agosto de 2012


OLHAR ALÉM DA JANELA...

Olhe além de seus erros,
Olhe além de seus medos,
Abra as janelas da alma e contemple além...
Há sempre um sol por trás das nuvens,
Há sempre um espera, um querer de um alguém.
Olhe além de sua janela.
Busque quem parecia perdido,
Recomece o que foi deixado e que vale a pena retomar.
Deixe a luz do sol brilhar!
Não abandones o amigo(a),
Não deixe o tempo te roubar.
Vivemos numa roda que gira, gira, sem parar...
Mas não se perca, não se deixe por levar.
Não é a vida que devemos deixar nos levar,
Mas nós a levamos a cada dia, de forma intensa num amar.
Olhar além da janela,
É poder ver que passa, quem chega, quem vem para ficar.
Olhar além da janela,
É sentir no vento fresco o toque das mãos de Deus,
É sentir Seu amor, a esperança trazida num soprar,
De fôlego, de vida!
Não deixe pra trás a janela fechada,
O brilho lá fora, o sol interrompido de entrar.
Traga a memória aquilo que pode te dar esperanças,
Abra, afaste as cortinas de sua alma,
Enfeite a janela da alma com flores coloridas,
De perfumes de gestos, palavras bem ditas.
Faça seu dia, sua semana, seu tempo aqui,
Um olhar para o infinito,
Olhar além de sua janela,
E descobrir gente, momentos, gestos, um lado da vida
Que lhe será muito mais bonito,
Será esperança, força, brilho e Divino! 

Morgana Deccache
BALANÇO DE UM ABRAÇO

Braços que se entrelaçam, balançam em seus abraços...
Braços que se abrem à vida, se debruçam na janela,
Braços e mãos, estendidas na luta, na força pra lida...
Braços em abraços,
Mãos em entrelaços, balanço de um abraço.
Braços abertos que mudaram a história,
Dividiu as eras, salvando vidas e recolhendo almas.
Mãos pregadas, espalmadas num madeiro,
Em seus braços abertos, amor verdadeiro.
Se hoje cruzas seus braços, recolhes suas mãos,
Nada terás nessa vida, de amor carinho ou guarida.
Temos que ser braços abertos,
Aprender com o Mestre o que é oferecer,
Se dar com nada em troca, amar e não se perder...
Estender suas mãos ao outro, aquele ao lado ou mais além,
Oferecer seu braço, muito além das palavras, se fazer um abraço...
Balanço de um abraço...
Dança dos braços.
Entrelaços.
Divino afago a qualquer dia...
Exemplo de amor, da paz sentida em meio a lida. 
Morgana Deccache

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Caminho de Conchas...

Por tanto tempo, caminhei por entre pedras
Resvalei, tropecei, mas caminhei.
Tantos caminhos por onde passei, já nem sei
Passei, passaram...
Hoje busco fazer meu caminho
Não mais de pedras, mas de conchas.
Caminho que me levem ao mar.
Que me conduzam em paz e encha minhas retinas.
Meus pés doem pelos caminhos de antes
E hoje, quero o caminho das conchas...
Do mar, da brisa, da força que emana da areia quente.
Quero o cheiro do sol na pele,
O sal do tempero, da conservação da alma
Repleta do êxtase que se tem no caminho das conchas
Que nos leva ao mar...
Quero esse mar em mim.
Quero esse amar de mim.
Quero mais que um tempo

Quero esse mar sem fim...

Foto e poesia de Morgana Deccache

BEM TE VI,BEM TE VEJO...
Sempre bem te vi.
Sempre bem te verei.
Te vi, vejo, desejo...
Bem te vi chegar.
Bom te ver pousar.
Tão imenso te ver olhar.
Inundar o ser desse mar.
Bem te vi no mar.
Bom te ver voar.
Tão intenso te ouvir calar.
Olhar, olhar, as ondas desse mar.
Bem te vi reverenciar.
Bom entender renovar...revoar...pousar.
Aprender aquietar,
Bom a alma pousar, no som das ondas desse mar.
Bem te vi ficar.
Finquei em ti meu olhar.
Bom inundar minhas retinas da imagem esguia.
Bem te seguia em teu contemplar...
Bem me fez teu pousar.
Bem me diz teu calar.
Bom demais nesse mar...
Bem te vi, bem te vejo eternizar.
Bem captei tua vontade de mergulhar.
Na quietude desse instante que me fez flutuar.
Bem te vi que bem me fez em teu silêncio.
Divino momento de reverência em meio a esse mar.
Bem me fez te olhar... 

Morgana Deccahe (Foto e poesia)