quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015



QUERO


Quero longe o medo, e que me abracem os segredos.

Quero distante o receio, e me aconchegar em teu seio.

Quero que passe ao largo, toda indiferença assassina.

Quero o calor do olhar e a mão amiga.

Quero desconstruir o mal em mim,

Dar espaços verdes pra minha alma reflorescer.

Quero o silêncio das gritarias,

E que ecoe somente a canção dos sorrisos no amanhecer.

Quero apagar caras fechadas, os dentes cerrados,

E que o mesmo sorriso se prolongue até o anoitecer.

Quero um desejo novo.

Começar de novo.

Sem me perder nos recomeços.

Quero o princípio da alegria, do encanto vivido,

Dos olhares nítidos e palavras sinceras.

Quero me levantar dos tropeços,

Limpar a ferida e seguir a lida.

Quero me reencontrar em tantas idas,

Me alegrar com as vindas,

Satisfazer na vida.

Quero um olhar tenro de paz e afeto sincero

Repousados em mim no instante que acordar...

Quero sentir que cada instante vivido é eterno no peito.

Quero ainda sentir a face corar, ficar meio sem jeito

Quando o amor me tocar.

Quero pássaros em minha varanda e janelas,

Verdes e flores, aromas e sabores

Espalhados nos espaços ao redor.

Quero poder chamar amigos, sentar à mesa,

Cantarolar velhas músicas e até rir da dor.

Quero o simples.

Quero a essência da vida,

Amar, ser amada, na leveza dos dias vividos...na calma.

Quero repousar mansamente numa rede minha alma

E ali adormecer e sonhar,

Que isso é parte do que quero...

No tempo que espero...





Morgana Deccache
(Foto e Poesia)
Te espero no meu Face com fotos, frases, reflexões e poesia. Uma extensão desse espaço onde você poderá deixar seu comentário e curtida.
Se as poesias e imagens te tocam de algum modo,compartilhe, divulgue. O mundo precisa de poesia!
Obrigada!

sábado, 7 de junho de 2014

Chuva...




Dançar ao Tempo

É preciso soltar as raízes, se mover, ser...
Sendo o que se consegue, ser o que se é.
Sem amarras, sem estáticas.
Se mover ao vento, se lançar ao tempo e bailar...
Não importando as estações
Vivendo emoções.
Dançar ao tempo que se faz a cada instante.
Sentir latente a vida pulsar nos membros,
Os arrepios sem medos,
Uma vida sem arremedos.
retirar raízes que aprisionam,
Descobrir formas, sabores e sons...
Seguir sendo o que se propõe a ser.
Em todas as formas e tons...

 Morgana Deccache

domingo, 16 de março de 2014




JARDIM EM MIM

Quero uma vida enfeitada de borboletas coloridas, pássaros cantantes...
Um jardim em mim em todas as estações...
Quero uma fonte límpida, cristalina que refresque meus dias quentes.
Terra boa de abraçar sementes.
Quero uma vida com frutos doces, azedos, únicos em sabores.
Quero um jardim em mim em todas as minhas estações.
Quero o sussurro das folhas com o vento
Segredos compartilhados no tempo.
Quero ser enfeitada e enfeitar a vida.
Borboletas, beija-flor, sabiás e bem-te-vis,
As rolinhas simples, os pardais singelos, as andorinhas ligeiras.
Quero meu jardim alegre com as maitacas,
Surpreendentes como o Tucano na cidade.
As pombinhas em suas simplicidades.
Grilos a noite, brisa fresca, perfumes espalhados.
Quero uma vida enfeitada de borboletas e libélulas.
Para que minha alma se torne cantante,
Meu coração descanse nas estações futuras,
E meus passos não mais errantes.
Quero um jardim em mim....

Morgana Deccache
FIM DO DIA



Fim de tarde. Chão de chuva recente.
Café de sabor, dança na mente.
Luta de pensamentos, entrelaço de sentimentos.
Mais um gole vagaroso no disparo dos pensamentos.
Cheiro de chuva que caiu a pouco. Um dia que se fez noite.
Um dia...
Vento que vem, vento que para.
Ouço tantos sons,
Inquietude que me impede a entrega ao silêncio de mim.
Preciso não ouvir essa dança de pensamentos.
Por um instante, num momento. Silêncio!
Ausências. Gosto. Rosto. Degusto...
O dia se refaz em dia...
Um dia...
Fim de tarde. Fim da chuva.
Finda os versos.
Fim da poesia.

Morgana Deccache

domingo, 9 de junho de 2013

SAUDADE

Saudade com cheiro de ondas,
Penas branquinhas de uma garça.
Saudade com canto de sabiás e bem-te-vis...
Saudade na forma de mar, de cheiro impregnado de maresia
De janela aberta pela manhã de sol
Como beijo da brisa no rosto.
Saudade que circunda, envolve, abraça apertado.
Saudade do que sempre quis...
Saudade de braços hoje vazios,
Olhos embaçados obscurecidos do cinza de uma cidade.
Saudade que dói feito maldade,
Saudade que fica enquanto o desejo se vai.
Saudade com gosto típico,
De temperos simples, broa com café...
Rapadura cortadinha, um sorriso amistoso.
Saudade com som das ondas que se quebram nas pedras,
Se confundem ao seu coração...
Saudade tem cheiro, gosto, forma, textura e cor.
Saudade tem som, tem lembranças, tem sabor...
Saudade é o vazio que fica
Quando se vai um amor...

(Poesia e fotografia de Morgana Deccache)


sexta-feira, 17 de maio de 2013

IN-DISPENSÁVEL


No sol que se põe,
Na face que expõe,
No tempo cruel que depõe...
Obscurece a fantasia.
Mata o que se cria,
Chora pelas esquinas...
Falsidades afloradas,
Palavras mal disfarçadas,
Sentimentos maquiados.
Na utilidade efêmera das pessoas
Que desaprenderam o amar.
Num mundo onde o que vale é o que você tem pra dar.
No sol que se põe...
Luz que finda.
Tudo obscurece.
Assim se dizem amar.
Envoltos pela capa dos interesses,
No encontro do que se pode ganhar.




Morgana Deccache

quarta-feira, 10 de abril de 2013

ENQUANTO NÃO VOLTAR

Enquanto eu não voltar
Deixo a luz do luar
Através da luz de seu olhar...
De estrelas pontilhadas no céu de seu amar.
Enquanto eu não voltar,
Aprenda a voar mesmo com o pé no chão,
Voe em cada verso, em cada nova canção.
Sem tanta explicação, sem velho refrão...
Enquanto não voltar
Voe, peça licença as nuvens,
Seja louca em seu buscar, se lançando em pleno vôo
Na entrega de um novo escrito
Sem rasuras ou insanidades falsas das palavras
Um dia mal-ditas...
Enquanto não voltar,
Esqueça os gestos passados,
Caminhe em direção ao mar,
Beba do mel no jardim,
E em cada flor que pousar
Seja pousada em mim.
Enquanto eu não voltar...
Pense nas chegadas que seca a boca e rouba palavras...
Como a gaivota espera o barco retornar
Ansiosa revoa, mergulha no mar.
Enquanto não voltar...
A luz fica pagada,
As portas fechadas.
Enquanto não voltar...
Teu cheiro permanece no ar
Me faz sonhar num delírio perdido, realidade e sonho.
Enquanto eu não voltar
Vejo luz do luar
Através da luz de seu olhar...
Num vácuo de espaços da saudade que invade
Da falta que estremece, lateja e faz chorar...
Mas enquanto não voltar,
Ouça nossas canções
Que pela poesia, chego pra te abraçar...

Foto e poesia de Morgana Deccache

O SER MELODIA

No tocar das emoções se compõe a melodia...
Do sentir, de cada dia, de cada tocar.
Composição perfeita,
Casamento entre notas, tons, suavidade.
Teclas, cordas, sopros, vida...
Canção de inesperada invasão de alma
Em cada nota tocada, executada em serenidade
Nos afina o coração um dia endurecido
Nos toma pela audição, como que pela mãos
Nos encaminha por entre sonoridade sem par...
Em cada nota, cada melodia, lembranças se enlaçam
Balançam como num dançar por entre horas
E já não sabemos se dentro ou fora de nós...
Nos rendemos...
Dançamos...
Bailamos em nossos pensamentos sentidos, antes contidos
Aprisionados pelo não dever ou poder...
A música liberta...Enleva...Eleva...Me leva a você!
No tocar de notas,
No compasso da melodia quase que infinita pelo desejar,
Tocamos...Somos tocados em todo ser.
Passamos a ser.
Tocados nas totalidades existenciais do se Ser,
Sendo, um ser, um humano, gente tocada.
Gente que se deixa tocar.
Gente que toca...Se permite compor em melodia
Em partes, em notas, erros, acertos, em vida...
Somos música...Corpo composto em partes melódicas.
Somos as cordas, outrora amarras, hoje liberta.
Somos as teclas, diferenciadas que se completam.
Somos o sopro, de ar, respiro, que ressoa, ecoa em som...
Corpo, música, poesia...
Sou partes de canções, sou composição inacabada,
Sou melodia!

Poesia por Morgana Deccache
Imagem - Google
Lembranças...
Resolvi postar essa música do saudoso Jessé, com uma voz inconfundível e forte...Senti saudades,sim saudadeS de coisas, pessoas, momentos, até os que ainda nem vivi, e um desejo enorme brotou em meu peito de poder voar...
Amo o vôo, amo o céu, amo poder me imaginar num vôo leve,calmo e plainar sobre o mar...
Como sempre falo: "Sou jornalista por profissão e pássaro por opção!"
Leia! Se solte! Voe na poesia...
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Voa, liberdade
Jessé
Composição: Mário Maranhão - Eunice Barbosa - Mário Marcos

Voa, voa minha liberdade
Entra se eu servir como morada
Deixa eu voar na sua altura
Agarrado na cintura
Da eterna namorada

Voa feito um sonho desvairado
Desses que a gente sonha acordado
Voa, coração esvoaçante
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado

Voa nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade esta ilusão

Voa no estalo do meu grito
Quero ser teu infinito
Neste azul sem dimensão
Voa...
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Voe sempre, a qualquer momento, bom ou ruim, voe na música, voe na poesia, voe no sentimento que tens em você, voe no carinho e amizade, voe na liberdade de ser quem você é:Uma pessoa especial para alguém ou muitos "alguéns"! 
 
Morgana Deccache
SOU
Sou poeta, sou saudade,
Sou espaços percorridos
Distâncias doloridas.
Sou tantas idas e vindas
Sou passos pelas estradas
Sou caminho percorrido.
Sou o achado e tantas vezes perdido,
Sou o abraço
De abraços recolhidos.
Sou sobrevivente das mentiras,
Sou carne viva do acreditar.
Sou idas e suas vindas.
Sou a lágrima derramada
Em cada despedida.
Sou lida...
Sou poeta...Sou amar.
Sou o medo das coragens contidas,
Das questões mal resolvidas,
Sou poeta, sou o sentir;
Sou as idas...
Sou parte de vidas cravadas
Palavras guardadas
Dos toques, da pele, do cheiro
Sou perfume, essências de vidas raras
Sou passagem de outras vidas
Sou pedaços do inteiro repartido
Sou o inteiro das partes doadas
Sou dores, amores, nova vida revelada.
Sou a brasa do fogo que se apaga
Sou lenha, chama contida.
Sou do simples a essência do prazer
Dos gestos pequenos, o engrandecer...
Sou quintais, de gente humilde
De amor de dente escancarado,
Do café fresquinho do bule esfumaçado.
Sou poeta, dos sentimentos verdadeiros, estampados.
Sou isso...Ou aquilo...
Sou sua poeta, seu verso
Seu reverso,
Sou apenas eu
Que sendo em mim, sou seu universo...
Ou quem sabe, seu reverso. 

Foto e poesia de Morgana Deccache

quarta-feira, 20 de março de 2013


OUTONO

Vento leve que arrepia
Alivia pele ardente.
Estação passada tão quente.
Vento,brisa fria, alivia.
Folhas ao chão se espalham e contam.
É nova estação.
Folhas dançam, embaladas ao vento.
Chuva lava, limpa num ar de contentamento.
Serena estação, nem frio nem quente.
Satisfação, dos dias amenos pra nossa gente.

Morgana Deccache