quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


DESAPEGO

Desapego de alma, desapego na calma.
Desapego das mãos que segura, ou insegura?
Desapego do espaço, do tempo
Que por vezes parece não passar.
Desapego de algumas pessoas,
Incertas, insanas, no falar.
Desapego do que foi
Do que deveria ser,
Do não se ter, para poder ser.
Desapego da cama, macia, que abraça.
Da água quente do banho.
Das preferências, intermitências, e se repete.
Desapego dos vícios...
Dos vistos e ocultos, envoltos em véus das desculpas
Dos aprendidos e apreendidos.
Desapego das imagens heroicas distorcidas
Da força hipotética contida.
Desapego da arrogância peculiar dos que se julgam sábios.
Desapego da sabedoria humana, insana, 
Das falsidades destiladas de lábios
Bocas manipuladoras vampiras.
Desapego do choro sem sentido.
Chorar pelo que realmente tem sentido, contido no sentir.
Desapego das esperas intermináveis.
das horas incontáveis numa sala vazia,
Numa cama fria, no olhar perdido.
Desapego da infelicidade.
Da falsa bondade.
Da mentira travestida de verdade.
Desapego do sonho enquanto só, apenas sonho...
Desapego das dores causadas.
Das cobranças calçadas.
Das feridas não estancadas.
Desapego do olhar mal.
Da comida sem sal.
Das conversas sem sabores.
Dos "amigos" sem cores.
Desapego do cinza das tardes solitárias.
Da esperança adoecida.
Da fé transgredida.
Desapego do silêncio doentio, conivente da morte.
Desapego da falta de sorte.
Desapego do espacial
Para encontrar seu norte.
O desapego é sobrevivência, é pessoal.


Morgana Deccache

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